Acidente pode impedir espanhóis de disputar trem-bala no Brasil
10/13/2013 06:18:00 PM
Editoria de Arte/Folhapress
A
empresa espanhola Renfe, operadora estatal dos trens em seu país e uma
das principais interessadas em participar do leilão do trem-bala no
Brasil, pode ficar fora da concorrência por causa do acidente de
anteontem em Santiago de Compostela.
Em
maio, a ministra espanhola de Infraestrutura anunciou que a Renfe, em
parceria com a Ineco e a CAF, duas outras companhias espanholas,
entraria na disputa. O governo brasileiro obriga consórcios interessados
a ter uma empresa operadora de trens de alta velocidade.
Um
item do edital do trem-bala no Brasil diz, porém, que a operadora
precisa declarar que “não participou da operação de qualquer sistema de
TAV [Trem de Alta Velocidade] onde tenha ocorrido acidente fatal, no
período de comprovação indicado [5 anos], por causas imputáveis à
operação do sistema”.
A regra de cinco anos sem registro de
vítimas foi criada principalmente para afastar operadores chineses,
considerados inexperientes –em 2011 houve um acidente naquele país com
33 mortos.
Agora,
a regra poderá afetar também os espanhóis. Eles são apontados hoje como
um dos dois grupos que ainda mantêm forte interesse em disputar o
trem-bala no Brasil (o outro é o consórcio francês). O mercado considera
improvável a participação de alemães, japoneses e sul-coreanos.
Como
as causas do acidente ainda estão sendo investigadas, não é possível
saber se elas são “imputáveis” ao operador. O leilão do trem-bala no
Brasil está marcado para 13 de agosto.
Além
disso, quando acontecem acidentes, as empresas responsáveis costumam
dizer que o sistema não era de alta velocidade porque, apesar de ter um
trem-bala operando, a via não estava totalmente preparada para aquele
tipo de operação.
As autoridades podem considerar esse o caso do acidente na Espanha.
Apesar
de o trem, em determinado trecho do percurso, chegar a até 250 km/h, no
local onde ocorreu o acidente a velocidade máxima permitida era de 80
km/h, por se tratar de linha férrea antiga.
Procurada
pela reportagem, a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), que está à
frente do projeto do trem-bala no Brasil, afirmou que não vai fazer
nenhum comentário sobre o acidente espanhol.
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