As ameaças da facção se estendem a 2014, quando os bandidos prometem
uma “Copa do Mundo do terror” e ataques nas eleições. Os planos dos
criminosos foram interceptados em telefonemas recentes flagrados pela
inteligência da polícia. Os bandidos afirmam que vão fazer uma greve
branca nos presídios se a liderança do PCC for transferida para o RDD.
Também dizem que, em caso de reação do governo paulista à greve,
criminosos nas ruas vão atacar.
“Passei uma mensagem aos meus homens para que eles redobrem a atenção
no atendimento das ocorrências, quando estacionam os carros e no
caminho para casa”, afirmou Meira. Em 2012, depois de a facção ordenar
ataques a policiais, 106 PMs foram assassinados.
As novas ordens do crime surgiram depois de a defesa de criminosos
como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, o chefão do PCC, ter
acesso aos detalhes da megainvestigação realizada por três anos contra o
crime organizado – e revelada pelo Estado na sexta. Grande parte do
mapeamento foi feita com a colaboração de PMs.
As orientações saíram por meio de telefonemas dados pelos líderes que
estão na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste paulista. “O
clima é muito tenso na região. Eles estão transmitindo as ordens pelos
celulares porque querem que a gente saiba”, afirmou um dos 23 promotores
dos Grupos de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaecos)
do Estado que assinaram a denúncia contra os 175 acusados de pertencem à
organização criminosa.
A inteligência policial verificou também que o bando tomou precauções
para o caso de toda a cúpula ser isolada no RDD de Presidente
Bernardes. Marcola e os demais integrantes da Sintonia Final Geral
escolheram substitutos que devem assumir os negócios da organização
criminosa. Tudo isso para que o tráfico de drogas não seja prejudicado.
Durante a greve branca, os líderes do PCC querem impedir a inclusão
de novos detentos na cadeia. Pretendem se recursar a serem fechados nas
celas, ficando livres nos pátios. Também paralisariam o trabalho nas
prisões onde existem oficiais. Em caso de intervenção do Grupo de
Intervenção Rápida (GIR), da Secretaria da Administração Penitenciária
(SAP) ou da Tropa de Choque, os detentos da facção pretendem começar
atentados nas ruas.
De acordo com a inteligência policial, funcionários dos presídios
também foram informados por presidiários sobre as supostas intenções da
facção. O conteúdo dessas novas escutas não faz parte da denúncia
apresentada pelos promotores.
Pressão. As ameaças do crime organizado contra o Estado surgem no
momento em que o Poder Judiciário analisa dois recursos apresentados
pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra as decisões de juízes que
negaram a transferência da cúpula da facção para o RDD e a decretação da
prisão de todos os 175 acusados – 16 deles tiveram a denúncia
rejeitada.
Na semana passada, um dos promotores do caso relatou no Gabinete de
Gestão Integrada (GGI), no Comando Militar do Sudeste, do Exército, a
ameaça feita pelo PCC para os eventos de 2014. A expansão das atividades
da facção criaria novos riscos. “A facção sabe que teremos muitos
turistas aqui durante a Copa”, afirmou o promotor.

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