Jogadores do Raja Casablanca já fizeram história neste Mundial, mas tentam chegar mais além contra o Bayern de Munique
Raja Casablanca x Bayern de Munique não é simplesmente
a decisão do Mundial de Clubes da Fifa. Neste sábado, às 17h30 (de
Brasília) no Grand Stade de Marrakech, o time que surpreendeu o mundo
futebolístico durante a semana e eliminou o favorito Atlético-MG na
semifinal entra em campo novamente em busca de um feito inimaginável que
vai muito além das quatro linhas. Para o clube africano, a partida vale
a felicidade, ainda que provisória, ao povo marroquino.
Localizado na região do Magreb, no noroeste do
continente africano, o Marrocos é um país de cultura forte e bastante
aberto ao turismo, mas bastante subdesenvolvido. Atualmente, ocupa a
posição de número 130 do Índice de Desenvolvimento Humano, em uma lista
de 187 nações para medir fatores como alfabetização, educação, riqueza e
expectativa de vida. Para efeito de comparação, o Brasil é o 85º.
A população, porém, passou a sorrir e a se unir em
torno de uma causa: o Raja Casablanca, time mais popular do Marrocos e
representante local no Mundial de Clubes organizado pelo país. O time,
comandado pelo tunisiano Faouzi Benzarti, passou pelo Auckland City na
fase inicial, surpreendeu o mexicano Monterrey nas quartas de final e
ficou frente a frente com o Atlético-MG, do astro Ronaldinho, na
semifinal. Dominou o jogo, venceu por 3 a 1 e conseguiu um feito
impensável.
"Nunca pensei que um dia encontraríamos o Bayern de
Munique", admitiu Benzarti, que, embora reconheça o favoritismo do time
alemão dirigido pelo espanhol Josep Guardiola, promete um Raja destemido
dentro de campo. Defendendo-se, claro. Mas atacando, também. Por que
não? "Por que não?", como questionam os marroquinos (torcedores do Raja,
do arquirrival Wydad, fãs de qualquer equipe ou até mesmo os que nem se
interessam por futebol) quando mencionam (durante grande parte do
tempo) a decisão do Mundial.
"Não enfrentaremos só um time, mas um país inteiro que
está apoiando o Raja", afirmou Guardiola, precavido a ponto de
demonstrar análise aprofundada que fez sobre o time marroquino.
Questionado por um jornalista local sobre os pontos fortes dos
africanos, o espanhol respondeu com propriedade, mencionando o nome de
oito titulares.
O sonho, porém, é ainda impalpável em uma visão mais
realista. O Raja terá pela frente um rolo-compressor chamado Bayern de
Munique, time que venceu todos os torneios que disputou em 2013:
Campeonato Alemão, Copa da Alemanha, Liga dos Campeões da Europa e
Supercopa da Europa. Falta o Mundial.
"É uma Copa do Mundo de clubes, e qualquer um quer ser
campeão. É uma motivação especial, é para coroar a temporada. Temos a
pressão de ganhar e temos que mostrar que somos fortes. Queremos
conquistar todos os títulos neste ano", disse o meia Thomas Müller.
"Estamos encarando seriamente esse adversário e
sabemos que há um país inteiro apoiando o Raja. Será uma partida
incrível, mas sabemos as nossas forças. Estivemos em muitas finais e há
um espírito positivo para fazer o que for necessário para pará-los. Se
estivermos concentrados, o Raja terá dificuldade contra o Bayern",
avisou o polivalente lateral e meio-campista Philip Lahm.
Terra

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