Atualmente, Dilma tem 39 ministérios para supervisionar. Herdou 37 do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criou mais dois: a Secretaria
de Aviação Civil e a Secretaria das Micro e Pequenas Empresas
A reforma ministerial que fará no fim deste mês vai envolver pelo
menos dez pastas, e a presidente trabalha para colocar mais dois
partidos no primeiro escalão, o Pros e o PTB. Além disso, PP e PMDB
brigam para ampliar o número de ministérios sob seu poder, e o PSD
também espera ser atendido, já que hoje comanda apenas a recém-criada
Secretaria das Micro e Pequenas Empresas.
O empenho de Dilma ao abrir espaço para novos aliados está ligado à
necessidade de montar uma aliança imbatível para se reeleger, na
avaliação do cientista político Leonardo Barreto, ex-professor da
Universidade de Brasília (Unb).
"Essa composição de partidos (na reforma ministerial) mostra que a
preocupação do governo está imediatamente ligada à montagem de uma
aliança forte para garantir a reeleição", disse Barreto à Reuters.
"O fato é que a presidente está criando uma armadilha para o dia 1º
de janeiro (de 2015). Esse vai ser um desafio muito claro para a
presidente lá na frente. Tem que ver como ela vai fazer para manejar
isso lá na frente", acrescentou.
Para Barreto, Dilma terá muita dificuldade para retirar partidos da
Esplanada dos Ministérios caso seja reeleita e, ao seguir apostando numa
ampla base no Congresso, terá que dividir o poder com o maior número
possível de aliados.
Essa coalizão parlamentar enorme, porém, não foi sinônimo de uma
relação tranquila entre Executivo e Legislativo nos três primeiros anos
de mandato de Dilma. Mesmo tendo aprovado a maior parte das matérias que
propôs ao Congresso, a petista passou todo período sendo pressionada
pelos aliados e a articulação política do governo sempre foi apontada
como um dos seus principais problemas.
"Isso não é, porém, um problema da Dilma. Todos os governadores e
qualquer outro presidente que assuma terá que usar os ministérios para
formar maioria no Congresso", disse Barreto.
"FUNDO DA PANELA"
O ministério de Dilma, classificado como um absurdo político e
administrativo pela oposição, estará na mira dos pré-candidatos à
Presidência dos partidos de oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o
governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. O
socialista inclusive promoveu no final do ano passado uma redução nas
secretarias de seu governo de 28 para 21.
Dilma nunca se posicionou publicamente sobre uma possível redução do
número de ministérios, mas já foi pressionada até mesmo pelo PMDB, seu
maior aliado, a reduzir a máquina administrativa. A Executiva
peemedebista aprovou no ano passado, no auge dos protestos populares de
junho, uma carta aberta pedindo que a presidente reduzisse o tamanho do
ministério.
Meses depois, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ),
apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) limitando o
número de pastas em 20.
O ex-presidente do PSDB deputado Sérgio Guerra (PE) confirma que os
tucanos vão elevar as críticas sobre o tamanho da máquina pública,
porque isso evidencia a falha gerencial de Dilma e como o país está nas
mãos dos interesses políticos.
"Estamos no fundo da panela. Tenho certeza que o país vai reagir a
isso. Essa cumplicidade política (do governo com os aliados) é um grande
sacrifício ao interesse público", afirmou o tucano.
Guerra afirma ainda que os candidatos de oposição terão que assumir
um discurso de ruptura em relação a esse tema. Ele admite, porém, que
não será fácil desmontar a atual estrutura. "Isso criou raízes", disse.
O professor de ciência política da Fundação Getulio Vargas Fernando
Abrúcio avalia que o futuro ministério vai depender da força dos aliados
nas urnas.
Abrúcio acredita que Dilma poderá fazer uma nova composição em 2015
porque levará em conta o tamanho de cada partido no Congresso para
distribuir poder.
"O que ela está fazendo agora é assegurar uma aliança eleitoral para a
campanha e escolhendo nomes que possa controlar nos próximos meses",
disse, descartando que a presidente ficará mais pressionada.
"O futuro ministério dependerá da força que cada aliado obtiver nas urnas", acrescentou.
Estadão

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