A
Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) do governo
do Maranhão contratou em setembro do ano passado, para reformar um
presídio, sem licitação, uma empresa que, três meses antes, foi acusada
por uma comissão da Assembleia Legislativa do Estado de envolvimento num
esquema que teria desviado R$ 4,9 milhões da Secretaria de
Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar (Sedes).
A
gestão Roseana Sarney (PMDB) quitou de uma só vez, em 24 de dezembro do
ano passado, contrato no valor de R$ 210 mil com a Sonortec Sociedade
Norte Técnica de Construção, para reformas na Casa do Albergado
Masculino, em São Luís. No entanto, ainda não há nenhum sinal de obras,
segundo agentes penitenciários que dão expediente na unidade.
Em
junho, a mesma empresa foi acusada por deputados da oposição de ter
sido contratada, com verba da Sedes, para construir uma estrada que até
agora não existe.
O contrato para reformar a Casa do
Albergado Masculino, destinada a presos no regime semiaberto, foi
assinado em 5 de setembro. A dispensa da licitação foi homologada no
Diário Oficial em 10 de dezembro. Segundo o documento, as obras deveriam
incluir a "colocação de divisórias em gesso acartonado, adequação de
banheiros, pintura parcial, revisão da cobertura e substituição de
luminárias".
"Eu trabalho na Casa do Albergado e ainda
não vi nenhuma intervenção nesse sentido", disse ontem Ideraldo Lima
Gomes, diretor jurídico do Sindicato dos Agentes Penitenciários do
Maranhão (Sindspem).
Outro caso. Em 19 de outubro de
2012, a Sedes havia publicado no Diário Oficial convênio no valor de R$
4,9 milhões com o Grupo de Ação Social Vera Macieira, entidade privada. O
objetivo seria melhorar o caminho de acesso ao povoado conhecido como
Trechos, no município maranhense de Raposa. Em 8 de novembro, a Vera
Macieira, por sua vez, publicou edital de licitação para a obra, na
modalidade concorrência.
Além do valor do convênio,
considerado alto para melhorias num único caminho de acesso, deputados
da oposição estranharam o fato de o nome da entidade privada (Vera
Macieira) ser idêntico ao da avó da governadora Roseana Sarney. E também
não havia qualquer povoado chamado Trechos no município de Raposa.
"Essa
espécie de ONG é fantasma. No suposto endereço havia um terreno baldio
cheio de pés de mamona. Como a Sonortec participou de uma licitação na
sede de uma entidade que simplesmente não existe?", disse um deputado
que pediu para não se identificar. Segundo o parlamentar, depois que o
escândalo veio à tona, a Sonortec alugou uma casa na Estrada do Araçagy.
O logotipo "Sonortec" teria sido pintado às pressas. As denúncias com
as supostas irregularidades foram encaminhadas ao Ministério Público.
Outro
lado. O Estado entrou em contato por e-mail e telefone ontem à tarde
com a Secretaria de Comunicação do governo Roseana Sarney, mas ninguém
respondeu até a noite de ontem. A reportagem não conseguiu contato ontem
com a Sonortec.
O Estado mostrou ontem que o governo
dobrou os gastos com a terceirização de mão de obra para os presídios em
2013. Uma das empresas que mais receberam verba, a Atlântica Segurança
Técnica, tem como representante Luiz Carlos Cantanhede Fernandes, que
era sócio de Jorge Murad, marido da governadora, em outra empresa, a
Pousada dos Lençóis Empreendimentos Turísticos. Em nota, Murad disse que
desfez a sociedade com Fernandes na Lençóis Empreendimentos em março de
2008.


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