Sensores biométricos ainda são ferramentas muito recentes. Você já
viu aqui no Canaltech que várias empresas trabalham para levar esse
recurso aos tablets e smartphones, incluindo a leitura da íris e das
impressões digitais - que já existem no iPhone 5S. Até mesmo o seu coração poderá servir como senha de acesso ao seus gadgets favoritos.
E
já que estamos falando do nosso coração, tudo indica que a ciência está
próxima de dar mais um passo no desenvolvimento de novas tecnologias
para um dos órgãos mais importantes do nosso corpo. O último experimento
vem de cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, que
criaram um sistema que permite gerar energia elétrica a partir dos
batimentos cardíacos. Saiu no New Scientist.
A
técnica consiste em utilizar materiais piezoelétricos, nome dado aos
elementos que conseguem gerar eletricidade quando as camadas de elétrons
são pressionadas. Partindo desse princípio, os pesquisadores usaram um
outro material chamado titanato zicornato de chumbo - um componente
cerâmico com propriedades piezoelétricas - em uma base flexível de
silicone, que pode ser modificada de acordo com cada órgão.
Quando
essa base se movimenta, à medida que o órgão se move, ela pressiona
seus elétrons para então criar cargas elétricas (positivas e negativas)
em cada extermidade. Os testes comprovam que o mecanismo consegue gerar
cerca de 0,2 microwatts por centímetro quadrado, energia suficiente
para manter as baterias de algum dispositivo eletrônico implantado no
corpo recarregadas. A novidade poderia beneficiar, por exemplo, baterias
de marca-passos, sistemas de monitoração cardíaca e até próteses para
pessoas com alguma deficiência auditiva.
"Se
você olhar para as tendências nos dias de hoje, vai perceber o
surgimento de mais e mais dispositivos eletrônicos implantáveis.
Acredito que será crescente a demanda por energia através do próprio
corpo", disse John Rogers, um dos cientistas que conduziu os testes.
Rogers ainda afirma que várias camadas das fitas de silicone poderiam
ser empilhadas para gerar mais energia em implantes que exijam maior
potência.
O próximo passo da equipe é acompanhar o equipamento
implantado por vários anos no corpo. Atualmente, os testes são feitos em
animais, como porcos, ovelhas e vacas, e só a partir de mais resultados
é que o experimento poderá ser realizado com órgãos humanos.

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