Estabelecer com precisão as causas do
autismo ainda desafia a medicina. Sabe-se que existe um componente
genético envolvido, mas os pesquisadores passaram a considerar também
uma série de fatores externos que podem contribuir para o
desenvolvimento do distúrbio. Novos estudos mostram que a gravidez é de
extrema importância. Desde o uso de antidepressivos até contrair uma
gripe durante esse período aumentam as chances de ter filhos que
manifestem a doença mais tarde. "Não existe um único autismo. A
manifestação da doença é muito variada e o que se entende é que pode ter
diversas causas", afirma Guilherme Polanczyk, psiquiatra infantil do
Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Ele explica
que os fatores ambientais podem aumentar o risco do surgimento de uma
doença, mas isso não significa que apenas um deles é suficiente para
causá-la – ou que todos sejam necessários. Conheça os fatores apontados
pelas mais recentes pesquisas.
Seis fatores ambientais relacionados ao autismo
Uso de antidepressivos
Gripe ou febre persistente
De acordo com os pesquisadores, as crianças cujas mães
tiveram gripe durante a gravidez tinham duas vezes mais chances de serem
diagnosticadas com distúrbios do espectro do autismo (ASD) antes de
completarem três anos de idade. No caso de febres com duração de uma
semana ou mais, o risco pode ser até três vezes maior.
Obesidade, diabetes e pressão alta
A pesquisa envolveu com 517 crianças com distúrbios do
espectro do autismo (ASD, na sgila em inglês), 172 com distúrbios do
desenvolvimento e 315 com desenvolvimento normal, nascidas na Califórnia
entre janeiro de 2003 e junho de 2010, e mostrou que a incidência de
diabetes, hipertensão e obesidade das mães era maior no grupo que
apresentava a doença do que no grupo de controle.
Vitamina D
A pesquisa foi realizada com 50 crianças autistas, entre 5 e
12 anos, e 30 crianças com desenvolvimento normal. Entre as crianças
com autismo, 88% delas tinham insuficiência ou deficiência (sendo a
última a mais severa) de vitamina D. Ao mesmo tempo, 70% dos pacientes
com a síndrome apresentaram níveis elevados do autoanticorpo denominado
anti-MAG (glicoproteína associada à mielina). Autoanticorpos são células
do sistema imunológico que atuam contra proteínas do próprio indivíduo
que as produz, e por isso estão associados a doenças auto-imunes, como
diabetes tipo 1 e lúpus sistêmico, por exemplo.
Tabagismo
Poluição do ar
Os mesmos pesquisadores publicaram um estudo em novembro de 2012, no periódico Archives of General Psychiatry, que aprofunda tais resultados. Participaram 279 crianças diagnosticadas com autismo e outras 245 que não apresentavam a doença. As mães informaram os endereços em que viveram durante a gestação e o primeiro ano da criança e os pesquisadores analisaram os níveis de poluição do ar em cada local. O resultado mostrou que as crianças que foram expostas aos maiores níveis de poluição causada por veículos tinham até três vezes mais chances de desenvolverem autismo.
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