Nos primeiros 10 meses deste ano, 102 mulheres foram assassinadas na
Paraíba, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O
número reflete uma estatística preocupante e revela que a violência
contra a mulher continua a fazer muitas vítimas, apesar de uma leve
redução de casos registrados nos últimos dois anos. No ano passado, 138
mulheres foram mortas.
Segundo a coordenadora do Centro da Mulher 8 de Março, Irene
Marinheiro, a luta das entidades, sejam elas de caráter público ou não,
tem surtido efeito ao longo do tempo, pois a legislação que protege os
direitos da mulher tem sido cumprida, principalmente no que diz respeito
a punição dos agressores.
As mulheres também são vítimas de outros tipos de violência e a maioria dos agressores estão em suas próprias casas.
Conforme informações da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana
do Estado, as ameaças de morte, injúrias e lesões corporais lideram o
ranking dos casos de violência contra a mulher registrados na Paraíba.
“A Lei Maria da Penha está começando a ser efetivamente cumprida,
mostrando aos agressores que seus crimes não ficarão impunes. A criação
do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, bem como a
estrutura de apoio das casas abrigo e dos centros de referências
especializados de assistência social (Creas), também foi um avanço, uma
vez que ao saber que será acolhida e protegida, a mulher vítima de
agressão se sente mais segura para denunciar”, ressaltou Irene.
Apesar disso, os dados mostram que a sociedade ainda precisa se
engajar mais nas ações de defesa dos direitos da mulher, na avaliação da
coordenadora do Centro da Mulher 8 de Março.
“O machismo ainda impera nas relações sociais. Prova disso é que a
maior parte dos casos de violência ocorre no ambiente familiar e são
praticados pelos companheiros. Para mudar essa realidade, além de
fortalecer essa estrutura de apoio, é necessário que a sociedade assuma
seu papel, denunciando os casos e conscientizando sobre as consequências
desses atos. Fazendo isso, teremos mais punições efetivas”, afirmou.
CAMPANHA
Com o objetivo de discutir a desigualdade de gênero e a violação dos
direitos da mulher, anualmente se realiza entre 25 de novembro, Dia
Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, e 10 de dezembro,
data em que se comemora o aniversário da promulgação da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim
da Violência Contra a Mulher. A campanha tem caráter internacional e
envolve organizações de cerca de 159 países.
Na Paraíba, as atividades começam na manhã de hoje, no município de
Queimadas, no Agreste paraibano. Na localidade, a Secretaria da Mulher e
da Diversidade Humana do Estado disponibilizará dois ônibus para
atender mulheres trabalhadoras do campo vítimas de violência. Dentro
dessas unidades móveis, que circularão por vários municípios paraibanos,
as mulheres terão à disposição atendimento de delegados, promotores,
juízes, psicólogos e assistentes sociais, bem como palestras e
orientações acerca dos direitos da mulher.
A programação também conta com o lançamento de campanhas educativas e
ações na área da Segurança Pública que serão anunciadas pelo governador
na próxima segunda-feira.
Com Jornal da Paraíba

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