Primeiro da fila, o auxiliar de serviços
gerais Manoel dos Santos afirma ter chegado à Alepe por volta das 13h.
“A emoção é grande e quero ver ele de qualquer forma, nem que tenha que
passar a madrugada toda aqui. Ele era um grande pernambucano, era
romântico e popular, falava a língua da gente. Não podia deixar de me
despedir”, justificou.
O
comerciante Edvaldo Junior levou uma foto de quando tinha 19 anos,
tirada em 1999 com o “Rei do Brega”. Do encontro, disse ter guardado a
simplicidade do cantor. “Eu pedi para tirar uma foto, dizendo que seria
uma honra. Ele virou para mim e pediu para se maquiar antes, porque
estava feio”, recordou.
A
cozinheira Silvania da Silva não aguentou a emoção antes mesmo de chegar
à entrada da Alepe. Com uma toalhinha nas mãos, secava as lágrimas. “Eu
me arrumei toda, porque ele merece, amava as mulheres. Vou trabalhar
amanhã [sábado], às 5h, mas só saio daqui depois de vê-lo”, afirmou.
Amigos e parentes
A família do cantor começou a chegar ao
local do velório por volta das 17h30. Emocionado, o sobrinho de Rossi,
Francisco Neves, fez questão de relembrar a bondade do tio, que
praticamente o criou. “Ele era dessas pessoas que tirava a roupa do
corpo para ajudar alguém, ajudou a família toda. Vou carregar comigo o
semblante dele, a doçura… Ele era uma pessoa muito doce, a bondade… Não
havia ninguém mais bondoso que ele”, disse.
O
músico Naná Vasconcelos também chegou cedo ao local para se despedir do
cantor, que conheceu nos anos de 1960. “Ele era de uma generosidade
imensa. Você imagina que ele manteve sempre os mesmos músicos. Quantos
fazem sucesso e chamam uma rapaziada nova? Ele não, isso é muito raro”,
destacou..
Falência múltipla
Rossi morreu na manhã desta sexta-feira,
no Recife, de falência múltipla de órgãos, decorrente das complicações
de um câncer no pulmão direito. O velório será realizado a partir das
19h desta sexta-feira, no plenário da Assembleia Legislativa de
Pernambuco, na Rua da Aurora, bairro da Boa Vista, área central do
Recife.
O médico Jorge Pinho, um dos integrantes
da equipe que tratou do artista, contou que o paciente vinha
melhorando, mas, na quinta-feira (19), apresentou fadiga muscular e
insuficiência respiratória, com queda no oxigênio. “Por isso nós tivemos
que interceder para fazer nova intubação. Ele teve que respirar com a
ajuda de aparelhos, tivemos que sedar o paciente, porque faz parte do
protocolo”, esclareceu.
De acordo com Pinho, Reginaldo estava
sedado, cercado de cuidados devido a essa piora no quadro clínico.
“Mesmo com a hemodiálise sendo realizada, os rins dele não vinham
respondendo. Ele estava anúrico, ou seja, sem urinar nada. Todos os
órgãos têm que participar em harmonia para haver sucesso do tratamento”,
afirmou.

0 Comentários