"2014 vai ser um ano muito ruim para os clubes. Ninguém vai querer
ver São Paulo x Ponte Preta, por exemplo. As pessoas querem assistir a
França x Inglaterra", afirma Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo.
Assim como Juvenal, dirigentes dos principais clubes afirmam que
reduzirão os investimentos, prevendo a queda do interesse do público
pelas equipes, o que, por sua vez, leva a uma diminuição do número de
empresas interessadas em aplicar dinheiro no futebol nacional.
"As grandes empresas vão jogar todo o dinheiro na Copa, nos
anúncios ligados à Copa. E vão deixar de investir nos clubes", acredita
Newton Drummond, diretor-executivo do Internacional.
"As pessoas que compram ingresso para a Copa, por R$ 1.000, não
conseguirão ir às partidas dos clubes porque já gastaram o dinheiro com o
Mundial", diz Drummond.
Aliado às dívidas dos clubes, esse impacto financeiro, como efeito
da Copa, faz com que os cartolas coloquem o pé no freio nas
contratações.
ARIDEZ PAULISTA
Corinthians e São Paulo voltam amanhã aos treinos sem grandes reforços.
O time tricolor fez apenas uma contratação: o lateral direito Luis
Ricardo, ex-Portuguesa. Ainda tentou o chileno Vargas, mas considerou os
valores pedidos pelo diretoria do italiano Napoli incompatíveis com a
realidade do mercado brasileiro.
O Corinthians não apresentou nenhum nome.
Já o Palmeiras anunciou cinco: o zagueiro Lúcio, o lateral esquerdo
William Mattheus, o volante França e os atacantes Diogo e Rodolfo.
Pentacampeão mundial, Lúcio é o nome de mais destaque, mas vem
enfrentando declínio técnico e físico. Os demais tem uma trajetória
muito menos expressiva.
O Santos só trouxe o atacante Leandro Damião por conta da ajuda de um fundo de investimento.
A escassez de contratações atinge até o campeão da Libertadores.
Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, demonstra preocupação com o
alto custo para manter Ronaldinho, que deve deixar o clube de Belo
Horizonte.
FALTOU PLANEJAMENTO
Especialistas em marketing esportivo concordam que o ano não será
empolgante para os times e os torneios nacionais e apontam os clubes –e
não a Fifa ou a CBF– como os principais responsáveis pela maré ruim.
Avaliam que as equipes têm falhado ao não tirar proveito do Mundial.
"Os clubes deveriam ter trabalhado com os patrocinadores que não
estão na Copa, mostrado que o espaço que eles oferecem é rico e dura
mais do que 30 dias", afirma Rafael Plastina, diretor da Score Sport
Business, agência de marketing esportivo.
O futebol da Alemanha, sede da Copa de 2006, é usado como referência.
"Lá, a preparação iniciou antes da Copa, cresceu em 2006 e aumentou
depois. A média de público, a exposição na mídia e o nível técnico
melhoraram", diz Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão
esportiva.
Folha de São Paulo

0 Comentários