A
apresentação do executivo começou com uma série de estatísticas sobre a
utilização de dispositivos móveis em um rápido vídeo. David
Kirkpatrick, da empresa Techonomy, então, subiu ao palco, contou como
conheceu Mark Zuckerberg, introduziu o fundador e CEO do Facebook e
iniciou um bate-papo com ele.
O primeiro tema não poderia ser
outro: WhatsApp. Segundo ele, a grande visão de que as empresas
compartilham é o fato de tentar facilitar a comunicação de todas as
pessoas, e o fato de o aplicativo já ter uma enorme base de usuários, e o
mesmo pensamento para o futuro foram os principais motivadores para o acordo de US$ 19 bilhões.
“O
WhatsApp é uma grande companhia e se encaixa bem conosco. Já tem quase
meio bilhão de pessoas e é o aplicativo com maior engajamento no mercado
móvel que já vimos hoje. Está no caminho para se contar mais de um
bilhão de pessoas e é um dos poucos serviços do mundo que podem alcançar
isso. Fiquei muito animado em ter a oportunidade de participar desta
jornada”, disse Mark, que acha o valor pago justo.
Porém,
logo depois, a conversa tomou outro rumo. Zuckerberg citou um estudo da
firma Deloitte para destacar um ponto importante de seus próximos
projetos: a inclusão digital. Ele frisou que quando se aumenta a
conectividade à Internet, a qualidade de vida melhora. São criados
milhões de empregos e até taxas ruins, como mortalidade infantil, caem.
“Só
um terço das pessoas têm Internet no mundo. Está crescendo mais devagar
do que as pessoas imaginam. Fala-se muito do número de smartphones no
mundo e acaba-se pensando que isso leva o acesso à rede, mas não é
verdade. Identificamos um problema e queremos consertar. Não queremos
criar uma conectividade para uma parte do mundo, mas sim para ele todo. E
não é sobre a Internet, é sobre o que ela traz”, analisou.
Foco no Internet.org
Um
dos estimuladores do Internet.org, Zuckerberg falou do projeto e citou
as bases da ideia: criar um acesso rápido e quase “emergencial” pelo
menos a serviços básicos na rede. Como um número de ligação de
emergência (911 nos EUA), mas online e com as páginas mais básicas, por
preços mais baixos e até mesmo gratuitamente.
“Isso não é só
uma teoria. Trabalhamos com isso já nos últimos meses e temos alguns
resultados muitos interessantes”, disse o CEO do Facebook, citando as
Filipinas como exemplo de onde alguns testes com este modelo estão sendo
feitos com o Facebook e Messenger gratuitos.
O número de
dados consumidos dobrou em três, quatro meses, de avaliações. Segundo
Zuckerberg, em cerca de seis meses, o Internet.org irá crescer bastante,
e a previsão do executivo é de que, em cinco anos, isso já possa
alcançar aproximadamente mais de um bilhão de pessoas. Em 10, mais de
três milhões.
“Vamos perder dinheiro por um tempo”
O
projeto ainda está no início, segundo Zuckerberg, e eles estão
trabalhando com um grupo pequeno de parceiros. A ideia é testá-lo por um
ano para depois voltar e buscar outras companhias para apoiar.
Obviamente, não é um projeto lucrativo a curto prazo, porém este não é o
objetivo inicial do fundador da maior rede social do mundo.
“Acho
que vamos perder um dinheiro nisso por um tempo. Mas acredito nisso
porque foi o motivo de eu ter iniciado o Facebook. A visão inicial foi
que algum dia alguém pudesse ajudar a conectar todo mundo no mundo.
Alcançar 1 bilhão de pessoas é ótimo, mas tem que haver algo maior. E
para a gente é isso: conectar o mundo. Eventualmente iremos achar uma
forma de receber por isso, mas primeiramente é bom para o mundo”,
avaliou.
Mark
acredita que as operadoras podem abraçar a ideia porque o objetivo é
estimular os usuários a conectarem-se de graça para depois pagarem por
planos com acesso maior aos serviços mais top. Ela diz que as empresas
terão a liberdade de escolher quais são seus serviços básicos, os
planos, serviços e valores pagos, e assim ganharem.
Três pilares e cooperação de parceiros
A
estratégia do novo projeto de Mark Zuckerberg tem três pilares:
diminuir o custo, abaixar o uso de dados e aumentar a eficiência do
acesso. Um exemplo simples dele foi que uma pessoa usava 14 MB de dados,
em média, no aplicativo mobile do Facebook por dia. Logo após algumas
alterações, caiu para 2 MB recentemente. Mas ele não quer todo o
crédito.
“Gostaria de deixar claro: o Internet.org é uma
grande união da indústria. O Facebook tem uma posição única, mas nenhuma
companhia pode fazer isso sozinha. É uma parceria – envolvendo vários
tipos de organizações”, completou.
saiba mais
Durante
a apresentação, Zuckerberg falou do laboratório de testes de
aplicativos que o Facebook disponibiliza para desenvolvedores em Menlo
Park, do projeto de enviar uma série de gerentes para mercados
internacionais e também criticou a política da Agência de Segurança
Norte-Americana (NSA) em relação aos dados dos usuários. Mas o maior
assunto do dia foi mesmo o Internet.org.
Outros assuntos e esclarecimento sobre o WhatsApp
Durante
a apresentação, Zuckerberg falou do laboratório de testes de
aplicativos que o Facebook disponibiliza para desenvolvedores em Menlo
Park, do projeto de enviar uma série de gerentes para mercados
internacionais e também criticou a política da Agência de Segurança
Norte-Americana (NSA) em relação aos dados dos usuários. Mas o maior
assunto do dia foi mesmo o Internet.org.
No fim do evento,
Mark Zuckerberg ficou disponível para perguntas e respostas, que foram
basicamente sobre estes mesmos assuntos. Entretanto, uma delas chamou
atenção: sobre o WhatsApp. A dúvida era “antiga”: como o aplicativo
ficará agora que acabou de ser adquirido pelo Facebook. A resposta foi
simples e acabou de vez com qualquer rumor sobre o aplicativo. “O
WhatsApp vai continuar operando de forma independente. Vai continuar
sendo o mesmo. E ele não armazena dados. O que você manda para outra
pessoa não é armazenado”.
O CEO do Facebook não perdeu a
esportiva nem no final da conferência, quando perguntado se daria um
novo lance para tentar levar o Snapchat. "Não. Bom, depois de gastar US$
19 bilhões em um aplicativo, você provavelmente vai ficar quieto por
algum tempo", disse, arrancando risos da plateia e encerrando, com chave
de ouro, sua participação no MWC 2014.
Globo.com

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