Autismo:
apesar de não haver um consenso sobre as causas da doença,
especialistas concordam que existem fatores genéticos e ambientais
envolvidos
Estabelecer com precisão as causas do
autismo ainda desafia a medicina. Sabe-se que existe um componente
genético envolvido, mas os pesquisadores passaram a considerar também
uma série de fatores externos que podem contribuir para o
desenvolvimento do distúrbio. Novos estudos mostram que a gravidez é de
extrema importância. Desde o uso de antidepressivos até contrair uma
gripe durante esse período aumentam as chances de ter filhos que
manifestem a doença mais tarde. "Não existe um único autismo. A
manifestação da doença é muito variada e o que se entende é que pode ter
diversas causas", afirma Guilherme Polanczyk, psiquiatra infantil do
Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Ele explica
que os fatores ambientais podem aumentar o risco do surgimento de uma
doença, mas isso não significa que apenas um deles é suficiente para
causá-la – ou que todos sejam necessários. Conheça os fatores apontados
pelas mais recentes pesquisas.
Seis fatores ambientais relacionados ao autismo
Uso de antidepressivos
O uso de antidepressivos durante a gravidez pode dobrar o
risco do filho desenvolver autismo. Essa é a conclusão de um estudo
realizado na Califórnia e publicado no periódico Archives of General Psychiatryem
novembro de 2011, que envolveu 298 crianças com distúrbios do espectro
do autismo (ASD, na sigla em inglês) e 1.507 crianças no grupo de
controle. O uso de tais medicamentos foi relatado por 6,7% das mães de
crianças autistas, contra 3,3% das mães no grupo de controle. Essa
relação é considerada mais forte caso os medicamentos sejam utilizados
no primeiro trimestre da gravidez.Gripe ou febre persistente
Um estudo preliminar realizado com quase 96.736 crianças
nascidas na Dinamarca entre 1997 e 2003, publicado em novembro de 2012
na revista americana Pediatrics, mostrou que a incidência de gripe ou febre prolongada durante a gravidez pode ser um fator de risco para o autismo.
De acordo com os pesquisadores, as crianças cujas mães
tiveram gripe durante a gravidez tinham duas vezes mais chances de serem
diagnosticadas com distúrbios do espectro do autismo (ASD) antes de
completarem três anos de idade. No caso de febres com duração de uma
semana ou mais, o risco pode ser até três vezes maior.
Obesidade, diabetes e pressão alta
Mães obesas têm chances maiores de ter filhos autistas. De acordo com um estudo publicado no periódico Pediatrics em abril de 2012, a obesidade materna aumenta em até 67% a chance da criança sofrer do distúrbio.
A pesquisa envolveu com 517 crianças com distúrbios do
espectro do autismo (ASD, na sgila em inglês), 172 com distúrbios do
desenvolvimento e 315 com desenvolvimento normal, nascidas na Califórnia
entre janeiro de 2003 e junho de 2010, e mostrou que a incidência de
diabetes, hipertensão e obesidade das mães era maior no grupo que
apresentava a doença do que no grupo de controle.
Vitamina D
Diversos estudos associam baixos níveis de vitamina D no
sangue a doenças autoimunes. Um estudo publicado em agosto de 2012 no
periódico Journal of Neuroinflammation aponta uma relação entre a falta dessa vitamina e o autismo
A pesquisa foi realizada com 50 crianças autistas, entre 5 e
12 anos, e 30 crianças com desenvolvimento normal. Entre as crianças
com autismo, 88% delas tinham insuficiência ou deficiência (sendo a
última a mais severa) de vitamina D. Ao mesmo tempo, 70% dos pacientes
com a síndrome apresentaram níveis elevados do autoanticorpo denominado
anti-MAG (glicoproteína associada à mielina). Autoanticorpos são células
do sistema imunológico que atuam contra proteínas do próprio indivíduo
que as produz, e por isso estão associados a doenças auto-imunes, como
diabetes tipo 1 e lúpus sistêmico, por exemplo.
Tabagismo
Fumar durante a gravidez está associado a distúrbios menos
graves relacionados ao autismo, como a Síndrome de Asperger. Essa é a
conclusão de um estudo realizado pelo Centro para Controle e Prevenção
de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos EUA, que analisou dados de
633.989 crianças nascidas entre 1992 e 1998. Por outro lado, não foi
identificada relação entre o fumo na gravidez e o autismo comum. Poluição do ar
A poluição do ar é um fator ambiental que tem sido
relacionado ao autismo por diversos estudos. Uma pesquisa de 2010,
realizada na Califórnia, mostrou que crianças que viviam a menos de 300
metros de rodovias tinham o dobro de chance de desenvolver autismo do
que aquelas que viviam mais longe.Os mesmos pesquisadores publicaram um estudo em novembro de 2012, no periódico Archives of General Psychiatry, que aprofunda tais resultados. Participaram 279 crianças diagnosticadas com autismo e outras 245 que não apresentavam a doença. As mães informaram os endereços em que viveram durante a gestação e o primeiro ano da criança e os pesquisadores analisaram os níveis de poluição do ar em cada local. O resultado mostrou que as crianças que foram expostas aos maiores níveis de poluição causada por veículos tinham até três vezes mais chances de desenvolverem autismo.
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