A presidenta Dilma Rousseff disse
hoje (3), que o resultado do julgamento do Massacre do Carandiru
representa uma vitória contra a impunidade. Por meio de sua conta no
Twitter, a presidenta destacou que o julgamento de parte dos policiais
que entraram no presídio atirando a título de conter uma rebelião de
presos garantiu aos réus o amplo direito de defesa e transcorreu em
conformidade com as regras do Estado de Direito. Por envolver grande
número de réus e vítimas, o julgamento foi desmembrado em quatro blocos,
cada um deles relativo a um dos quatro andares do Pavilhão 9 da Casa de
Detenção, palco da ação policial que, no dia 2 de outubro de 1992,
resultou na morte de 111 presos.
Ontem (2), durante o julgamento do quarto e último bloco, 15
policiais militares integrantes do Comando de Operações Especiais (COE)
foram condenados a 48 anos de prisão cada um, pela morte de quatro
presos do quarto pavimento do pavilhão. Os mesmos policiais foram
absolvidos pela tentativa de homicídio de dois detentos e pela morte de
outros quatro, provocada por armas brancas.
No total, 73 policiais foram condenados. Na primeira etapa do
julgamento, ocorrida em abril do ano passado, 23 policiais foram
condenados a 156 anos de reclusão cada um pela morte de 13 detentos. Na
segunda etapa, em agosto, 25 policiais foram condenados a 624 anos de
reclusão cada um pela morte de 52 detentos. Em 19 de março, mais dez
policiais militares foram considerados culpados pela morte de oito
detentos: nove dos policiais foram condenados a 96 anos de prisão cada
um, enquanto o outro foi condenado a 104 anos por já ter uma condenação
anterior.
Conhecida como Carandiru, a Casa de Detenção de São Paulo
funcionava na zona norte da capital. Foi inaugurada em 1920 e chegou a
abrigar mais de 8 mil presos durante o período de maior lotação – sendo
apontado como o maior presídio da América Latina. A unidade foi
desativada e parcialmente demolida em 2002.
Agência Brasil

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